segunda-feira, 9 de julho de 2012

Contraponto 5625 - PSol exige dos outros o que não faz consigo



BRASÍLIA - Um dos partidos mais combativos quando se trata de desvios éticos, o PSOL ainda não decidiu o que fará com o vereador e pré-candidato à prefeitura de Goiânia Elias Vaz. Filiado ao partido, ele é um dos vários políticos de Goiás que teve gravadas conversas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
O discurso ético, inclusive, o levou a ser chamado de "um Demóstenes diferenciado" por um dos integrantes da organização. A pedido do próprio vereador, ele será investigado pelo Conselho de Ética do partido, mas até o momento não foi ouvido.
Há pelo menos cinco telefonemas entre Cachoeira e Elias Vaz no ano passado que foram interceptados pela PF: dos dias 4 de julho, 10 de agosto, 13 de agosto, 15 de agosto e 18 de agosto. Além disso, há vários diálogos com outras pessoas em que o bicheiro fala de Elias. Em 26 de março de 2011, Cachoeira conversa pelo telefone com outro vereador da cidade, Santana Gomes (então no PMDB, mas hoje filiado ao PSD) e deixa claro que a eleição de Elias em 2012 é uma prioridade.
A proximidade entre o contraventor e o vereador é tal que Elias Vaz já foi algumas vezes jogar bola na chácara de Cachoeira, na cidade de Anápolis. A relação dos dois é conhecida pelo menos desde março deste ano, fato que não é negado pelo próprio Elias.
- Eu o conhecia, conversava com ele. Inclusive nunca neguei isso. Sempre admiti que eu o conhecia, nunca tive problema com isso. Mas nunca atendi aos seus interesses - disse ele ao GLOBO.
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), membro da CPMI que investiga as relações de Cachoeira com empresários e políticos, disse que o Conselho de Ética do partido vai apurar a situação do vereador e, caso fique comprovado que Elias se envolveu com Cachoeira, ele será punido. Segundo Randolfe, o partido não hesitará em investigar quem quer que seja.

Nenhum comentário:

Postar um comentário